19 de fevereiro de 2019

Os perigos em colocar o preço acima do valor

Dois artigos da Digiday ressaltam os perigos em se colocar o preço acima da qualidade e da eficiência da publicidade e que já está prejudicando profissionais, agências e, claro, os próprios clientes. Insuspeitos, os autores, dois jovens jornalistas de Londres e de Nova Iorque, revelam que os sinais de preocupação estão se disseminando junto às novas gerações.


Ao buscar uma nova agência, anunciantes priorizam o preço acima da parceria e da transparência

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O preço, não a transparência ou a parceria, continua a ser a prioridade para os clientes quando buscam novas agências", com esta frase Seb Joseph analisa, de Londres, a excessiva ênfase dos clientes em solicitar garantia de preços mais baixos, seja da agência, seja das mídias, na definição de novas agências, acima mesmo da recente onda de preocupação com a transparência e das clássicas atribuições de parceria, qualidade e eficiência.

Tendo ouvido clientes, agências e consultores de seleção, o jornalista ressaltou pesquisa da Ebiquity constatando que das 100 seleções realizadas no ano passado, 54% usaram como principal critério a melhoria de custos e 34% a "visão estratégica e especialização" das agências.

O texto também enfatiza a desconexão entre as áreas de marketing eprocurement de parte de grandes clientes, pois enquanto os primeiros pensam em inovação e incremento de qualidade, os segundos estão fixados em conseguir pagar menos pela mesma mídia empregada.

No Brasil tenta-se evitar essa situação, que evidentemente prejudica o conjunto da atividade e suas partes, por meio da autorregulação ético-comercial que promove as melhores práticas e uma maior harmonia produtiva para o setor.

 
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Uma crise de esgotamento mental está sendo gerada entre os profissionais de agências americanas

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Artigo de Ilyse Liffreing, de Nova Iorque, entra em um assunto que está sendo evitado de comentários públicos dos líderes da publicidade americana, que é o alto nível de esgotamento mental dos profissionais das maiores agências, especialmente entre os mais jovens, em função da combinação de excesso de trabalho, stress contínuo e redução de ganhos.

Boa parte desses problemas, ressalta a autora, deriva da redução da remuneração das agências, excesso de disputas por novos negócios, crescente atribuição de jobs e não de contas, falta de objetivos e rumos claros pelos clientes e um clima geral de que as coisas vão continuar seguindo essa trilha.

A analista compara a situação à uma fervura que está se formando sob a superfície da água e que vai evoluir logo para uma situação difícil de controlar, atingindo níveis epidêmicos.

Enquete feita em janeiro agora pela Digiday junto a 446 profissionais de agências indica que 32% deles estão preocupados com sua saúde mental. Um índice alto, mas que é mais grave, 40%, entre os que ganham menos e que trabalham entre 50 e 59 horas por semana.

Considerando que a média de trabalho entre os jovens criativos já é de 60 a 70 horas por semana, com picos de 80, é de se prever que coisa boa não vai acontecer se esse problema continuar sem ser devidamente considerado.

E como observa a autora, referindo-se a uma moda recente entre as agências, "não será a existência de salas de meditação e de mesas de ping-pong que vai resolver a questão.

 
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