9 de Abril de 2019

É a Droga 5 que está olhando para o futuro ou a Accenture que deseja aprender com o passado-presente?

 

O surpreendente acordo de aquisição da icônica Droga 5 pela Accenture Interactive deve ser um divisor de águas no modelo de concentração de capital da publicidade nas últimas três décadas e pode ser interpretado tanto como o desejo da agência em estar melhor estruturada para o futuro como da firma de consultoria em beber águas seculares para solidificar sua expansão no setor da comunicação de marketing.


Muitas dúvidas e alguns fios de esperança

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Das muitas matérias escritas sobre o acordo da Accenture Interactive com a Droga 5, duas se destacam pela ponderação das diversas dúvidas e os pontos de esperança no futuro desse negócio que caiu como um poderoso raio em um ambiente já carregado por chuvas e trovoadas.

Os textos são da inglesa Katie Deighton, que hoje cobre o mercado americano para The Drum, e da americana de ascendência indiana Sapna Maheshwari, encarregada do setor de publicidade do The New York Times. Ambas têm sólida formação (universidades de Bristol e da Carolina do Norte) e ampla experiência em jornalismo especializado em negócios.

Entre as dúvidas levantadas pela The Drum estão o ceticismo geral do mercado se a forte cultura de independência da Droga 5 será mantida na nova fase. Entre as esperanças, a possibilidade da agência enfrentar a maré de transformações que vem fustigando o setor, diversas delas pouco positivas para o negócio de agências.

A chave, como pontua, está no australiano David Droga, que saiu do outro lado do mundo para vencer na meca da publicidade mundial, a icônica Madison Avenue.

Para o The New York Times a aposta da Accenture está justamente na criatividade e na maior absorção da cultura das agências de publicidade vencedoras, que ainda não havia sido incorporada com tanto impacto em suas aquisições anteriores.

O artigo refere-se ao otimismo do CEO da Accenture Interactive, Brian Whipple, que assegura que as culturas das duas organizações não são tão diferentes como se avalia de fora e que o resultado dessa equação será de grande valia para os clientes e os negócios das duas empresas.

Vale o registro, aliás, que dias depois da Droga 5 a Accenture anunciou que estava incorporando a Shackleton, de Madri, que opera na mesma linha da agência novaiorquina.


 
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Clique aqui  para ler o artigo do The New York Times - 8 minutos

 

Accenture já é uma big player do mercado?

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Os mencionados artigos da The Drum e do The New York Times (e outros previamente publicados sob o tema) perguntam-se se a Accenture Interativa está perto de ser uma "big player" do mercado e rivalizar com os cinco maiores desse jogo que vem sendo dominado pelo modelo de concentração financeira inaugurado pela Interpublic e Omnicom, mas que estourou mesmo com a agressiva expansão da WPP, no final dos anos de 1980 (as outras duas "big ones" são o Publicis Groupe e a DAN - Dentsu Aegis).

A receita da Accenture Interactive cresceu 30%, para US$ 8,5 bilhões, no ano encerrado em 31 de agosto passado, e representa cerca de um quinto do total da Accenture. A unidade, estabelecida em 2009, adquiriu quase três dezenas de empresas nos últimos anos, mas a Droga5 é a sua maior aquisição e deve dar à Accenture Interactive uma nova dimensão no maior mercado do mundo e no ranking global.

Mesmo estando abaixo da faixa de receita das 5 maiores - que oscilou entre 20,4 e 9,3 US$ bilhões em 2018 -, o crescimento da Accenture impressiona e, na visão de Bob Hoffman, um dos mais capacitados observadores do negócio global da publicidade, haverá mudanças significativas nesse panorama, pois "as agências estão conectadas aos clientes no segundo ou terceiro nível decisor, os CMOs, enquanto as consultorias estão ligadas ao primeiro nível de decisão, os CEOs".

 

Clique aqui para ler o artigo da The Drum sobre as 29 aquisições da Accenture - 10 minutos
Clique aqui para ler o artigo do The New York Times sobre a saída de Martin Sorrell da WPP e as perspectivas das consultorias no negócio da publicidade - 7 minutos