23 de Abril de 2019

Movimentos tectônicos

Dois movimentos tectônicos têm se desenvolvido dos últimos tempos e estão se aproximando de seus momentos decisivos. O primeiro é entre as grandes organizações digitais, como Google, Facebook e Amazon. O outro é das holdings de agências e das consultorias globais, que disputam as verbas dos anunciantes multinacionais. Algumas matérias de fôlego, indicadas nesta edição, substanciam esta análise.

NBC News e Financial Times expõem as entranhas do Facebook

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Duas amplas e detalhadas matérias colocaram em evidência as entranhas do Facebook em um momento em que a mega organização digital tem frentes de disputa com os parlamentos dos EUA e do Reino Unido, a FTC - Federal Trade Comission e uma relevante contenda judicial na Califórnia com a desenvolvedora de apps Six4Three.

A matéria da NBC News é baseada na análise de mais de 4.000 páginas de documentos internos vazados para um famoso jornalista investigativo inglês, Duncan Campbell, um dos principais jornais alemães, Süddeutsche Zeitung, e a NBC.

O texto revela que a hipótese de venda de dados dos usuários do Facebook foi detalhadamente considerada até a decisão de os compartilhar apenas com clientes de grande expressão e desenvolvedores que concordassem em fazer "compartilhamento total" deles, de modo a "suportar a competitividade e rentabilidade da organização".

O artigo do Financial Times, por sua vez, faz uma análise detalhada dos métodos e indica as pessoas recrutadas pelo Facebook em busca do que a empresa definiu como "luta pela dominação do mercado", meta alcançada há algum tempo mas que está gerando problemas para seu controle.

Consultado pelo FT, Tristan Harris, um dos gurus do universo digital, que hoje dirige o Center for Humane Technology, definiu o desafio do Facebook em uma expressão: "Frankestein digital".



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Modelo de negócios da Amazon está se modificando

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A revista Inc., a maior publicação americana e mundial dedicada aos pequenos negócios, publicou um extenso artigo sobre o processo de mudança do modelo de negócios da Amazon, que é a única organização capaz, no momento, de abalar o duopólio do Google e do Facebook no digital, e que pode inclusive vir a ser a maior vendedora de mídia do mundo em poucos anos.

O texto analisa justamente os predicados competitivos do Google no universo da publicidade e seu imenso potencial de crescimento, mas aponta que isso pode ser feito ao custo da redução do alto nível de confiança que as pessoas têm nessa organização e na sua oferta de mercadorias e serviços.

Por enquanto, conforme pontuado "a Amazon não é apenas a principal empresa de tecnologia na qual os americanos mais confiam, é também a marca de varejo mais confiável e até mesmo uma das instituições mais confiáveis ??em geral".



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Publicis Groupe prepara-se para assegurar sua competitividade

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A recente aquisição, por US$ 4,4 bilhões da Epsilon, uma das principais organizações globais no campo da gestão de dados, e a promoção de Nigel Vaz para CEO da Publicis Sapient, com certeza foi um movimento dessa holding para estar em melhor condições de competir com a Accenture Interactive e outras grandes consultorias do gênero, segundo avaliação da The Drum.

Duas matérias nessa linha foram publicadas. A primeira, sob a aquisição, entrevistou Arthur Sadoun, CEO da Publicis, que classificou o negócio como uma virada de página na estrutura desse mercado, tanto que além dos recursos, sua organização empregou perto de 50 reuniões para fechar o acordo.

Ele também enfatizou que o grupo que dirige irá continuar a ter foco na criatividade, que é o que as agências fazem de melhor pelos seus clientes, mas cada vez com maior substância, tanto no campo digital como da gestão de dados.

Fazendo uma "dobradinha" com seu chefe, Nigel Vaz deu uma entrevista ressaltando que "o que as consultorias estão oferecendo agora as agências já fazem há mais de uma década" e estão sempre evoluindo nessa área, como a rede que dirige e a recente incorporação da Epsilon ao grupo.

Vaz reforçou que a Accenture, com suas três dezenas de agências e o volume de negócios gerados, continua sendo um "aglomerado de empresas" que não têm "a escala e o alcance globais, além da percepção do negócio" para fazer frente ao que uma rede como a Publicis Sapient oferece a mega clientes multinacionais.



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